Os piores ataques de phishing da história

A Internet tem sido um dos desenvolvimentos mais proeminentes da humanidade, transformando completamente nossas vidas de inúmeras maneiras. Ela é a varinha mágica que trouxe uma infinidade de serviços, informações e oportunidades para a ponta de nossos dedos. Entretanto, não vivemos em um mundo perfeito, e a rede mundial de computadores também tem sua parcela de obstáculos. Uma das desvantagens mais significativas da Internet é o phishing. Embora alguns ataques passem despercebidos, deixando as organizações relativamente ilesas, muitos golpes de phishing têm um impacto duradouro, o que resulta em graves danos financeiros e à reputação. Entretanto, alguns ataques de phishing são grandes e prejudiciais o suficiente para entrar para a história. 

Os 5 piores ataques de phishing da história

O phishing está na raiz de muitos dos ataques cibernéticos mais devastadores, incluindo esquemas de comprometimento de e-mails comerciais que custaram milhões às empresas. Aqui estão alguns ataques que ficarão para sempre gravados na história por seus impactos devastadores.

O golpe do Facebook e do Google

Neste caso clássico de comprometimento de e-mail corporativo (BEC), um lituano chamado Evaldas Rimasauskas roubou mais de US$ 100 milhões do Facebook e do Google. Rimasauskas e seus cúmplices criaram contas de e-mail falsas bastante convincentes da empresa Quanta Computer, sediada em Taiwan, que de fato mantém relações comerciais com o Facebook e o Google. Eles enviaram e-mails de phishing cuidadosamente elaborados, contendo faturas, contratos e cartas falsas, aos funcionários dessas duas gigantes da tecnologia, cobrando-lhes indevidamente milhões de dólares durante um período de dois anos, entre 2013 e 2015. Os funcionários do Facebook e do Google pagaram mais de US$ 100 milhões às contas bancárias da empresa falsa de Rimasauskas, dinheiro que ele teria lavado por meio de bancos na Letônia, Chipre, Eslováquia, Lituânia, Hungria e Hong Kong.

O ataque do malware NotPetya

Em junho de 2017, o mundo acordou para o ataque cibernético mais devastador da história, que se espalhou pelo planeta como fogo, dando início a uma nova era de guerra cibernética. O NotPetya começou inicialmente como um ataque à cadeia de suprimentos contra empresas ucranianas, por meio de atualizações de uma pequena empresa ucraniana de software de contabilidade. No entanto, ele se espalhou rapidamente por mais de 60 países, afetando os sistemas de computação de milhares de empresas multinacionais.

O NotPetya vem da família do malware Petya que tem como alvo os sistemas baseados no Windows, infectando o registro mestre de inicialização para executar uma carga útil que criptografa a tabela do sistema de arquivos de um disco rígido e impede que o Windows seja inicializado. Depois que os criminosos cibernéticos criptografam o sistema de arquivos, eles exigem um resgate em Bitcoins para descriptografar os arquivos. No entanto, enquanto o malware Petya é normalmente o domínio de criminosos cibernéticos comuns, o NotPetya é amplamente considerado como um malware limpador russo patrocinado pelo Estado, mascarado como ransomware. O malware Petya permite que as vítimas descriptografem suas máquinas após o pagamento, mas o NotPetya destrói os dados, tornando-os quase impossíveis de serem recuperados.

O ataque do NotPetya envolveu muitas empresas, incluindo a Maersk, a gigante farmacêutica Merck, a subsidiária europeia da FedEx, a TNT Express, a Saint-Gobain, a Mondelez e a Reckitt Benckiser. Os danos monetários causados pelo malware foram estimados em mais de US$ 10 bilhões , a perda mais significativa na história dos ataques cibernéticos.

Ataque à rede elétrica ucraniana

Em dezembro de 2015, uma empresa ucraniana de distribuição de energia elétrica, a Kyivoblenergo, tornou-se a primeira operadora de rede elétrica do mundo a ser derrubada por um ataque cibernético. Os autores do ataque conseguiram atacar a empresa de energia elétrica ucraniana e provocar um apagão por meio de um e-mail de phishing que lhes permitiu acessar a rede da Kyivoblenergo.

Utilizando um malware conhecido como BlackEnergy, os autores conseguiram atacar os sistemas de informática e SCADA da empresa, deixando 30 subestações sem energia por três horas. Amplamente considerado como um ataque perpetrado pelos autores do NotPetya,o incidente deixou sem energia elétrica cerca de 230 mil clientes— quase metade das residências da região de Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, que tem uma população de aproximadamente 1,4 milhão de habitantes.

Ataque de engenharia social da Ubiquity Network

Em outro golpe do tipo BEC, uma empresa de tecnologia sediada em San Jose, a Ubiquity Network, foi alvo de um ataque de whaling em 5 de junho de 2015. Fingindo ser um membro sênior da empresa, os golpistas enviaram um e-mail a um funcionário do departamento financeiro das subsidiárias da empresa sediadas em Hong Kong, que caiu no esquema dos golpistas. Os invasores se passaram pelo CEO e pelo advogado da empresa e instruíram o diretor de contabilidade a realizar uma série de transferências para concluir uma aquisição secreta.

Ao longo de 17 dias, a empresa realizou 14 transferências bancárias para contas na Rússia, Hungria, China e Polônia. A empresa informou ter transferido fundos no valor total estimado de US$ 46,7 milhões, que estavam na posse de sua subsidiária constituída em Hong Kong, para outras contas no exterior. O esquema só veio à tona depois que o FBI (Federal Bureau of Investigation) dos EUA entrou em contato com a Ubiquity para informá-la de que a agência suspeitava que a empresa tivesse sido vítima de fraude.  

Ataque de comprometimento de e-mail comercial da FACC

A FACC, fabricante austríaca de peças aeroespaciais e empresa de engenharia, foi vítima de um dos ataques BEC mais prejudiciais financeiramente da história em 2016. Nesse incidente, um funcionário da FACC recebeu um e-mail aparentemente rotineiro no qual os criminosos se passavam pelo CEO da empresa e solicitavam que a organização transferisse cerca de US$ 50 milhões para outra conta como parte de um “projeto de aquisição”. A mensagem parecia ter sido enviada pelo CEO da FACC, Walter Stephan, e o funcionário caiu na armadilha, transferindo o dinheiro. A empresa conseguiu impedir que cerca de US$ 10 milhões fossem transferidos no último minuto, mas o dano foi grave, e o CEO da FACC perdeu o emprego como resultado. 

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